Tinha feito uma lista de alguns restaurantes que ainda queria conhecer e já a caminho de um nos Jardins acabei me lembrando do “Attimo” na Vila Nova Conceição (que em português significa “instante”), liguei rápido para o restaurante pois já eram quase 21hs e imaginei que não houvesse mesa disponível, a pessoa que me atendeu informou que não era possível fazer reservas mas como estava a caminho iria segurar a única mesa ainda disponível. Estava curioso para conhecer a nova casa do Chef Jefferson Rueda que esteve por muitos anos no comando da cozinha do Pomodori antes de abrir seu próprio e cuja esposa cuida do também super diferenciado “Bar da Dona Onça” embaixo do Copan, as recomendações eram muito boas, com um conceito meio diferenciado misturando a tradição italiana com o lado caipira brasileiro. É impressionante como involuntariamente somos capazes de imaginar coisas, sabores, cheiros e situações, no caminho já conversava com a minha mãe sobre o lugar, vendo um fogão a lenha como destaque da cozinha, piso e dormentes de demolição, a casa com a pintura caiada com pó xadrez lembrando das casas interioranas e até mesmo das construções ítalo-toscanas… Quase chegando, passamos por aquela frutaria na frente do Parque do Ibirapuera que fazia uns sucos muito bons e foi infelizmente fechada por uma antiga prefeita a qual não podemos citar nomes e afinal o negócio aqui é relaxar e… não nada disso! Vamos seguir em frente… Chegamos!
A cara de pré-decepção estava estampada, o lugar era super moderno, todo de mármore, iluminação exagerada, elementos de cerâmica vazados e muito vidro… Aonde estava o lado caipira do negócio ?
a1
Fonte: Mauro Holanda
a2
Fonte: Mauro Holanda
Enfim entramos e não parecia tão cheio como quando falamos por telefone mas pegamos uma mesa quase próxima a cozinha que é separada do salão principal por paredes de vidro e nos deixa ver boa parte da finalização dos pratos, já que estes vem pré prontos de uma outra casa do mesmo Chef na região, incumbida de fazer o trabalho duro e barulhento de produção, criando assim a possibilidade da cozinha envidraçada.
a3
Fonte: Divulgação
Logo fomos atendidos por um garçom que era velho conhecido de outra casa nos orientando um pouco sobre o estilo, os ingredientes e as bebidas, parte importante essa já que a casa foi denominada sede da Champagne Don Perignon no Brasil. Existem dois menus, um menor com diversas opções de entradas (pastéis, porções e etc) e o outro mais dedicado ao jantar também com opções de entradas mas com os pratos principais. A pequena introdução do menu extraído de uma carta de Cora Coralina à Ondina me lembrou muito um livro bem bacana sobre a colonização do Brasil que leva o título de “1808” e foi um Best Seller de Laurentino Gomes com a continuação “1822“, só à titulo de curiosidade…
a4
a5
O couvert da casa (R$12,00) é bem bacana, não só com a porção de pães tradicionais de todos os restaurantes mas com 6 opções de pães bem quentes servidos em uma bandeja aonde pode decidir os que mais gosta (entre eles, o pão de toucinho e o de batata) e serão sempre repostos, uma dupla de pururucas (não é o destaque do Couvert!), tomates moqueados, manteiga de azeite, fatias de San Daniele e uma canja de galinha caipira. Aí começamos a ver um pouco dos princípios caipiras na canja, mas o destaque mesmo é para o tomate que chega na mesa dentro de uma cúpula de vidro guardando a fumaça do processo de defumação por maqueamento que quando aberta faz com que as outras mesas imediatamente peçam o mesmo.
a6
Pururuca, Tomates, Manteiga de Azeite, San Daniele
a7
Canja de Galinha Caipira

Também escolhemos uma das entradas que estava excepcional, aspargos e cogumelos na brasa cobertos por uma espuma de queijo Grana Padano, ovo caipira com gema mole e azeite trufado

a8
Ovo caipira R$41,00
Na hora de escolher o prato não foi tão fácil, por ter essa pegada meio caipira, todos os pratos com carne pareciam ser muito pesados, com muito porco e temperos o que deveria ser específico para o almoço e algumas opções mais leves para o jantar então optamos por duas massas, um é o Ravioli de Nata com Azeite de limão Siciliano e pappa al pomodoro que é um molho de tomate bem denso servido no meio do prato, tava animal, só dispensaria a decoração com folha de beterraba pois parecia que tinha caído terra quando comi, mas usam tanto que essa deve ser uma opinião exclusiva minha;
a9
Ravioli de Nata
A outra massa era um Tortellini de Carne assada com creme de ervilhas frescas e presunto San Daniele que deixou a outra massa que já era excelente quase esquecida, e a folha de beterrada aqui outra vez, deve ser bão mesmo i eu ki num sei;
a10
Tortellini de carne assada com piselli e San Daniele
Todas as sobremesas são espécies de releituras de sobremesas clássicas, portanto acabamos ficando com as que pareciam misturar mais sabores, foram elas: Banana da Terra Brullè, brigadeiro de banana passado na farofa de paçoca, e sorvete de banana;
a11
Banana Brullè, paçoca e sorvete
e a segunda opção foi o clássico petit gateu que aqui leva o nome de Coulant de Chocolate com laranja, compota de Kin Kan e sorvete;
a12
Coulant de Chocolate com laranja
tudo acompanhado pela lançamento da Nespresso, “com um complexo perfil aromático e métodos de cultivo especializados, este Café Reserva Especial conquistou uma reputação global como um dos mais prestigiados cafés do mundo, adorado pelos verdadeiros connoisseurs.
Nascido em uma das ilhas mais lindas do mundo, o Hawaii Kona é resultado de meticulosos métodos de cultivo, práticas agrícolas tradicionais e de processos rígidos exigidos pela Nespresso. Plantado no lado esquerdo da Big Island do Havaí e em menos de mil fazendas familiares, geralmente com dois hectares, fazem com que apenas 40.000 sacas sejam produzidas por ano. Somente o café cultivado nesta região bem pequena pode receber a denominação Hawaii Kona.“O Hawaii Kona é um dos cafés mais procurados do mundo pelo seu sabor requintado, mas a produção é tão única que ele só pode ser oferecido em uma edição extremamente limitada. Para marcar essa distinção, a Nespresso lança sua primeira Reserva Especial Hawaii Kona”, afirma Karsten Ranitzsch, líder de café da Nestlé Nespresso. “Em nossa busca pelos melhores cafés do mundo, encontramos pequenos lotes de cafés excepcionais, com quantidade suficiente para produzir um Limited Edition para os connoisseurs de café, gerando novas experiências de degustação”, completa.Feito a partir do puro Arábica, o Hawaii Kona, é um café complexo, que possui corpo aveludado e sabores duradouros de frutas suaves. Os especialistas em café da Nespresso controlaram a intensidade e as notas aromáticas por meio do domínio da técnica de torrefação, em que os grãos são torrados de forma homogênea a uma temperatura constante, por dentro e por fora, extraindo apenas os sabores mais requintados e evitando-se o amargor. Com uma intensidade 5 – em uma escala que vai de 2 a 10 – o Hawaii Kona proporciona uma experiência sensorial única que desperta os sentidos”.
a13
Nespresso Hawaii Kona
Enfim, achei que faltou um pouco de caipirisse na arquitetura do restaurante o que nos levaria mais a raíz da inspiração do Chef, mas obviamente não dá para falar mal, foi tudo muito bem projetado e o restaurante é muito bom! Só preciso marcar um almoço em um dia sem chuva, podendo sentar na área externa, pedir uma boa porção dos pastéis, todas as carnes de porco possíveis e voltar andando para casa.
Abraços,
Lazanha
Attimo
São Paulo – SP
Endereço: Rua Diogo Jácome, 341 – Moema
Telefone: (11) 5054.9999